A UMA MULHER QUE AMA POESIA
Nela só atenção
Quando sentada
mãos no queixo, é só o começo
pernas cruzadas, reflexão
sem nenhuma imposição
ela lê poesia
a minha poesia.
O que passa pela sua mente?
Amores, tensões
intenções?
No brilho dos olhos
O paraíso de jardins verdes
e flores multicoloridas;
seja o que for
a sua imagem
um pouco cabisbaixa
esboço das águas
é tão linda
quanto o pôr-do-sol
quanto um beijo de amor.
E agora.. ela sorri?
O relógio marca as 4 da madrugada
eu sou privado das suas emoções
escolhas sem explicações.
Por tudo e seus afins
os mundos nos confins,
eu reparo, já demente
seu sorriso inocente.
Essa mulher que ama poesia,
quem é?
ela é um sorriso em Copenhague
um chocolate meio amargo
um bairro bonito
uma mente que transforma palavras
uma montanha nevada
um vulcão em erupção
uma dor que chora
uma lágrima de alegria
é inexplicável, implacável
a mulher que lê minha poesia.
No tempo da noite
às vezes, nas escuridões da vida,
a mulher que ama poesia
chora
mas eu não tenho as respostas
eu tenho letras,
letras que confortam, imploram.
Oh, mulher que ama poesia,
quem consumirá suas tristezas?
não conheço nenhum filme
que conte sua história,
que registre sua memória.
Mas tudo são inspirações.
No profundo só um desejo
Du träumst von Himmel.
Nos versos
escondido
um espelho
um momento
o seu nome no ar
como correntes de águas.
E agora, o que ela faz?
Chama.
Por quem?
Pelo mistério.
Quem responde?
Alguém que ela não conhece.
Um segredo,
uma poesia só para ela
que não vai esquecer.
Letras quentes, dias de frio,
todas as tardes são para sonhar.
Ao ler ela se lembra de uma música
a calma da noite vira sinfonia
então ela levanta os olhos
e se distrai
os sons a envolvem
ela vibra
escuta várias vozes
e várias borboletas voando
e cachoeiras desabando
e estrelas cadentes
na explosão de cores e sons
sonhos e odores
a poesia a abraça.
Contudo
aproxima-se o amanhecer
onde repousará seu rosto agora?
ela ainda ama sem limites?
depõe razões?
em algo somos semelhantes,
nossos corações são errantes;
contudo somos iguais
vidas surreais.
Ela tornou-se a própria poesia.
Aonde ela vai agora?
Como se uma decisão firme fosse,
seu desejo é o mais doce.
Uma proteção
uma muralha
defesa contra o inimigo
e ondas lancinantes no mar
e cavalos indomáveis
as infinitas histórias
toda uma vida;
como são fatais as decisões
dessa mulher que ama poesia!
Milhares de anjos a visitam
enquanto dorme
por isso o pensamento do poeta
não pode aproximar-se tanto
para sentir seu suave respirar
percebe-se, porém, que
são latentes as pulsões.
Em seu interior eu declamo a poesia
que ela lerá algum dia
os meus versos arrancados da alma
banhados em amargo pranto
escritos com sangue.
Minha intenção é trazer-lhe paz,
mostrar que na vida tanto faz
como o brilho insistente da lua.
Vou oferecer-lhe
ó linda mulher que ama poesia
todas as estrelas do universo
um mundo de fantasias
uma entrada para o meu espetáculo
onde, sobretudo,
eu sou o tangente palhaço
sensações em espanhol
tudo resumido em flor
para essa mulher que ama poesia.
J. L. REIS

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